Elimine obstáculos e tenha uma residência acessível

09 de Maio de 2016

Um tapete pode ser mais do que um objeto decorativo na residência. Para alguns, é um obstáculo e pode causar uma queda, dependendo de onde ele foi colocado. Pequenos detalhes como esse só ficam perceptíveis quando há alguma dificuldade de locomoção conhecida como mobilidade reduzida que pode ser permanente ou temporária, decorrente de uma doença, acidente, gravidez ou da idade (crianças ou idosos) e altera a rotina familiar definitivamente.

Para Givaldo Dias Campos, técnico em Edificações e coordenador de Acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), o primeiro passo é o mais complicado e envolve toda a família. "A perda de mobilidade vai impactar fortemente em qualquer pessoa. A primeira coisa é trabalhar a aceitação, a partir daí, buscar atitudes que te coloque em posição positiva em relação ao que você vai fazer para corrigir e adaptar os cômodos da residência", explica.

A redução dos movimentos impõe uma mudança de velocidade nas atividades de rotina, como escolher roupa ou tomar banho, mas Givaldo afirma que é possível e fundamental que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida tenham autonomia para realizar algumas tarefas, desde que os obstáculos sejam eliminados. "A pessoa tem que fazer tudo por outro caminho. E a família cria dificuldades sem querer, inclusive, ao tratar quem está numa condição diferente com cuidado excessivo. É preciso se adaptar e contribuir no progresso, por exemplo, se a pessoa ficar surda, a família aprende libras e resolve o problema de comunicação. Mas é preciso envolvimento e em alguns casos ajuda psicológica porque é uma mudança muito difícil."

Para crianças

Algumas alterações são indicadas pelo técnico quando há crianças ou adolescentes na família, entre elas, adquirir móveis com regulagem de altura quando o tempo de permanência é prolongado como na mesa de computador e na cadeira. "Todo mundo pensa assim: ‘ah, a criança ou o adolescente vai crescer’, mas nesse período alguém pode adquirir uma incapacitação, uma alteração na coluna por conta do móvel errado. A família não pode deixar a criança ou o adolescente em uma condição física ruim", alerta.

Mesa e cadeira devem ser ajustadas de acordo com altura da criança. Crédito da foto: Fotolia

Para idosos

Quando há idosos, Givaldo indica instalar barra de apoio em todos os ambientes na altura de um metro, especialmente, no banheiro "que é um local muito perigoso por ser molhado e onde as pessoas estão fragilizadas. O banheiro precisa ter barra junto ao vaso sanitário e ao chuveiro para que o idoso possa se locomover no local com segurança", afirma. Nos outros cômodos, onde tem algum desnível, por exemplo, colocar uma rampa suave com corrimão, eliminar os tapetes e instalar maçanetas de portas e janelas do tipo alavanca, além de fechaduras e chaves maiores. "A família é o elemento balizador do conforto do idoso e tem que se adaptar porque o contrário não é possível. Precisa prestar atenção no circuito que o idoso caminha, sem obstáculos, de preferência. De acordo com o SUS, 70% das internações são causadas por quedas dentro das residências."

Exemplo de banheiro adaptado com barras nas laterais das paredes. Crédito da foto: Fotolia

Barra instalada dentro do box e próxima ao chuveiro. Crédito da foto: Fotolia

Outra dica é criar contrastes de cores entre os objetos na mesa de jantar. "Se você tem uma toalha de mesa branca, os pratos são brancos e o talher prateado, existe a possibilidade do idoso ou do deficiente visual não comer e sofrer com isso porque não tem coragem de falar que não enxerga os objetos na mesa. Evitar mudar os móveis de lugar com frequência, também é importante porque se o idoso tiver Mal de Alzheimer, uma simples mudança de um sofá não vai ser compreendida", explica.

Para cadeirantes

Alterar a altura da cama e das prateleiras dos armários é fundamental para quem precisa utilizar a cadeira de rodas, temporária ou definitivamente, de acordo com Givaldo. "A pessoa vai escolher a roupa e de repente está na cadeira de rodas, mas nunca notou que o cabide está lá em cima. Você não precisa pedir ajuda se colocar os cabides na altura certa para que a pessoa continue escolhendo a roupa sozinha. Mudar a altura da cama para a altura da cadeira de rodas é outra opção porque vai ficar fácil para transferir. Essas adaptações acontecem com o meio, a partir das interferências necessárias e mesmo que a deficiência seja temporária, o aprendizado da família não vai ficar para trás."

Cadeirante deve ter autonomia para realizar tarefas diárias. Crédito da foto: Fotolia

 

 

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