Um relicário para quem crê

21 de Julho de 2016

No ateliê de Adriana Milano, encravado no Centro de Cuiabá, na colonial rua de Cima, e, atualmente, Pedro Celestino, budas, iemanjás e santos católicos dividem o mesmo espaço, até encontrarem outros lares: a artista plástica confecciona relicários. No Ateliê Bendito Santo, nome super apropriado para a temática, o relicário ou oratório, para alguns, pode ser grande, médio, pequeno, com flor ou sem, de acordo com a encomenda de cada cliente, mas, no fim, o objetivo é sempre o mesmo: obter proteção.

"Sempre gostei muito de símbolos, principalmente, os místicos. Eu sou de uma família italiana, católica, e a gente sempre cultuou muito Nossa Senhora", explica. A pluralidade de crenças tem espaço no ateliê, "sem preconceitos", destaca Adriana, que valoriza "tudo que tem um cunho místico, religioso e que traga sorte. A imagem pode ser católica, de candomblé ou oriental, de São Jorge a buda."

Oratório de Santo Antônio exposto do Ateliê 

Os nichos de madeira são confeccionados por um marceneiro e chegam lisos nas mãos de Adriana que utiliza diversos tipos de materiais para montar o relicário, desde miçangas, cristais, rendas e outros tecidos, até flores e crucifixos. 

"Cada relicário é uma peça única. Eu garimpo, pesquiso para fazer cada um e, dependendo do tamanho, eu faço uns três pequenos por dia ou um grande. Alguns demoram mais tempo para ficar pronto, como o relicário de Nossa Senhora Aparecida que demorou uma semana, por ser mais detalhado e ficou exposto em um dos shoppings da capital", disse.

Adriana Milano durante a exposição dos relicários no Goiabeiras Shopping

Há mais de uma década, a artista começou a presentear amigos com suas criações e o que era dado como presente e teve início despretensioso passou a ser trabalho. "Eu sempre gostei muito de trabalhar manualmente. Faço crochê, tricô, e pintava desde criança, sempre desenvolvendo o lado artístico. Não tinha isso em mente e as coisas foram acontecendo bem naturalmente." A receptividade dos amigos e cuiabanos aos relicários revela uma das características dos que moram aqui, a religiosidade, não só a de origem católica, herdada dos portugueses, espanhóis e bandeirantes, mas também dos cultos indígenas e africanos. 

Adriana é o tipo de pessoa que podemos chamar de multifuncional, já que além do trabalho no Ateliê Bendito Santo, também atua junto ao esposo, o fotógrafo Rai Reis, na parte de fotografia utilitária, confeccionando porta-copos e imãs com imagens de autoria do marido de Cuiabá e Mato Grosso e ainda tem um brechó. Além disso, reutiliza materiais, entre eles, garrafas, latas e vidros, que viram suportes para velas perfumadas, luminárias e até abajur. "O que aparece e vem uma ideia na cabeça eu vou juntando."

Latas e velas perfumadas também estão à venda no Ateliê Bendito Santo

São Benedito e Nossa Senhora Aparecida são os campeões das encomendas que podem ser feitas diretamente à artista. Para quem prefere levar para casa na mesma hora, pode escolher um dos relicários prontos nas três lojas onde são comercializados: no Armazém da Creuza, na loja do Museu de Arte Sacra e nas lojas do Sesc Arsenal e da Casa do Artesão. 

Acesse o Facebook do Ateliê Bendito Santo para mais informações.

Relicários de São Francisco de Assis e Nossa Senhora das Graças produzidos por Adriana

Outros relicários expostos no Ateliê

A artista no seu local de trabalho

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